Este vinho estava guardado há uns dias, proveniente de uma visita ao bistrô Il Fornaio. A adega do lugar é um sonho. Lá você encontra exemplares que não existem em outros lugares. O preço é de restaurante, pois no Il Fornaio você almoça muito bem e pode escolher uma dessas preciosidades para degustar na hora! Enfim, este Bardolino estava me esperando. Não vi outras garrafas dele, acho que era o último exemplar da espécie.
Estava receoso ao pegar a garrafa e abrir. Até agora a maioria dos italianos que bebi, principalmente os de supermercados na faixa de R$30, tinham uma peculiaridade que não me agrada: eram muito secos. Uma sensação aveludada mesmo, textura seca, que pessoalmente não gosto. Mas este foi diferente. O Bardolino é um vinho tinto leve e frutado, refrescante, feito com três castas de uvas locais da região do Vêneto: Corvina, Molinara e Rodinella.
Este Bardolino é excelente, não tem nada de seco, e pelo contrário, é muito envolvente. Sua cor gosto e aroma sugerem ameixas doces e cerejas maduras, talvez uns traços de morango ao final. Ele não tem taninos fortes, então fica agradável no verão. Geralmente os vinhos frutados são bem translúcidos, mas este estava opaco e com alguns resíduos, arrisco dizer que pelo fato de estar há mais de cinco anos na garrafa, o que não é aconselhável para este tipo de vinho, recomendando-se consumir em no máximo dois anos. Outra característica que chamou atenção foi uma textura licorosa, que lembrava Vinho do Porto. Vale lembrar servir gelado, ele fica bom na casa dos 14 graus. Como está muito quente, prefiro servir ainda mais frio.
Gostaria de beber mais tintos refrescantes e com esta personalidade no verão. Este Bardolino é o tipo de vinho que gosto de brincar com cada gole na boca, degustando, sentindo a textura e avaliando os tipos de gostos que podem sugerir. Tomara que apareçam mais oportunidades como esta!
Obs.: O Il Fornaio fica em Florianópolis na rua Rua Desembargador Arno Hoeschel, 279 - Centro; 48 3225-0228
Há algum tempo aprecio vinhos. Mas em 2010 comecei a entender a quantidade de variáveis que fazem diferença entre os diversos estilos. Estou experimentando sempre e vejo que meus amigos pouco sabem sobre esta bebida divina. Sinto a necessidade de expor minhas impressões a cada experiência e compartilha-las. Quero deixar claro que por não ser perito, todos os comentários aqui são provenientes de pesquisas e de minhas impressões pessoais, o que torna o este blog uma publicação totalmente informal.
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Panul Chardonnay 2009 - Chile
O verão é perfeito para tomar um vinho refrescante. Há dois anos eu jamais pensaria em vinho nesta estação, tomaria cerveja. O Chardonnay foi o primeiro vinho branco que aprendi a beber.
Encontrei o Panul na prateleira do mercado Nacional, no Floripa Shopping. A princípio o preço R$10 fez com que eu recuasse. Passado o preconceito, peguei e lembrei de uma frase de Vincent Gasnier: "Você não tem como errar no Chardonnay chileno". Analisando o rótulo percebi que o Panul é produzido pela Errazuriz, a qual o mesmo sommelier considera a melhor produtora de Chardonnay do Chile. COMPREI.
Os vinhos que bebo no verão deixo na gaveta abaixo do freezer. Creio que os sirvo perto dos dois graus, ou menos. Com o calor que está fazendo, até chegar ao final da taça ou mesmo ao rodopiar o líquido dentro para oxigenar e deixar aflorar os aromas, ele esquenta muito rápido. O cheiro de um Chardonnay na temperatura certa é algo maravilhoso. O Panul não decepcionou. Aromas de frutas como abacaxi e pêra são perceptíveis logo de imediato. Na boca é bem untoso e persistente. Achei muito equilibrado e bem estruturado. Lembra muito os bons espumantes, pois a maioria deles tem a uva Chardonnay em sua composição. A maior surpresa para mim foi o mel! O aroma e o gosto de mel neste vinho lembrou-me na hora o Chardonnay da marca Trapiche, feito em Mendoza, na Argentina, um dos melhores Chardonnay que já experimentei.
A uva Chardonnay adaptou-se muito bem ao clima do Chile. Seus bagos pequenos e com casca espessa fazem vinhos brancos concentrados com muita personalidade e complexidade. Por ser um vinho encorpado dentre os brancos, acompanha muito bem peixes, frango e alguns queijos.
Com certeza Panul Chardonnay é uma compra que acabarei repetindo. Considero um vinho com excelente custo / benefício e que surpreendeu muito.
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